Toque nos quadros para ver o passo-chave, a fisiopatologia, o diagnóstico, o tratamento e os pontos de atenção. No fluxograma, arraste para os lados para ver os outros ramos.
- Derrame PleuralLíquido no espaço pleural
- TransudatoCritérios negativosPressão oncótica/hidrostática
- Exsudato≥ 1 critério (+)Permeabilidade/obstrução linfática
- Derrame PleuralLíquido no espaço pleural
- TransudatoCritérios negativosPressão oncótica/hidrostática
- Exsudato≥ 1 critério (+)Permeabilidade/obstrução linfática
Derrame Pleural Líquido no espaço pleural
Critérios de Light Proteína e LDH pleural/sérico
Como decidir: Exsudato: Ptn pl/ser > 0,5 OU LDH pl/ser > 0,6 OU LDH pl > 2/3 LSN
• Light: NENHUM critério (Ptn pl/ser ≤0,5 E LDH pl/ser ≤0,6 E LDH pl ≤2/3 LSN) → Transudato (ICC, cirrose, nefrótico) (Mecanismo sistêmico (pressão), não pleural)
• Light: ≥1 critério positivo → Exsudato (TB, neoplasia, parapneumônico) (Problema pleural local (permeabilidade))
• Exsudato + linfocitose >80% + ADA alto → TB pleural (Parapneumônico é neutrofílico)
• Exsudato neutrofílico + pH <7,2 / glicose <60 → Parapneumônico complicado/empiema (Decide drenagem)
• Critérios de Light: A 1ª bifurcação. Exsudato se ≥1: Ptn pl/ser>0,5 OU LDH pl/ser>0,6 OU LDH pl>2/3 LSN
• Gradiente albumina soro-pleura: Se Light diz exsudato mas suspeita é transudato (uso de diurético): gradiente >1,2 g/dL = transudato
• pH do líquido: <7,2 em parapneumônico → drenar. Coletar sem ar/anestésico (altera o pH)
• Citologia/celularidade: Linfocítico→TB/neoplasia; neutrofílico→parapneumônico/TEP
Transudato Critérios negativos
Insuficiência Cardíaca
Passo-chave: BNP + eco
Fisiopatologia: ↑ pressão hidrostática capilar pulmonar transuda líquido para a pleura.
Diagnóstico: Bilateral, predomínio D; BNP elevado; proteína pleural < 2,5.
Tratamento: Tratar a ICC (diurético). Derrame regride.
Alerta: Unilateral volumoso em ICC: buscar 2ª causa.
Pegadinhas:
- Pode virar pseudoexsudato após diurético — usar gradiente de albumina.
- Unilateral importante: pensar em outra causa.
- Não drenar de rotina — tratar a base.
Hidrotórax Hepático
Passo-chave: Gradiente albumina soro-pleura > 1,2
Fisiopatologia: Ascite passa para o tórax por defeitos diafragmáticos (predomínio D).
Diagnóstico: Cirrótico, predomínio D, SAAG ascite ≥ 1,1, proteína pleural baixa.
Tratamento: Tratar a hipertensão portal; TIPS em casos refratários.
Alerta: Infectado: PMN > 250 = ATB imediato.
Pegadinhas:
- Pode ocorrer sem ascite visível.
- Toracocentese de alívio repetida piora a depressão proteíca.
- Empiema espontâneo pleural é análogo à PBE.
Síndrome Nefrótica
Passo-chave: Proteinúria + albumina
Fisiopatologia: Hipoalbuminemia ↓ pressão oncótica → transudato bilateral.
Diagnóstico: Bilateral pequeno; albumina baixa; proteinúria > 3,5 g/dia.
Tratamento: Tratar a doença glomerular de base.
Alerta: Anticoagular se albumina < 2 g/dL (risco de TEP).
Pegadinhas:
- Hipercoagulabilidade: trombose de veia renal e TEP.
- Derrame costuma ser pequeno e simétrico.
- Investigar a glomerulopatia subjacente.
Exsudato ≥ 1 critério (+)
Tuberculose Pleural
Passo-chave: ADA + linfocitose + contexto
Fisiopatologia: Reação de hipersensibilidade pleural ao bacilo → exsudato linfocitário.
Diagnóstico: ADA > 40 + linfocitose > 80% + contexto. Biópsia pleural é definitiva.
Tratamento: Esquema RIPE por 6 meses.
Alerta: ADA falso-baixo em AIDS. Notificação obrigatória.
Pegadinhas:
- BAAR direto do líquido é positivo em < 10%.
- ADA falso-baixo em imunossuprimido.
- Jovem com exsudato linfocitário = TB até prova em contrário no Brasil.
Neoplasia
Passo-chave: Citologia + TC tórax/abdome/pelve
Fisiopatologia: Invasão pleural ou obstrução linfática por tumor → exsudato, frequentemente hemático.
Diagnóstico: Citologia oncótica (+) em 60-70%; volumoso e recidivante; pH < 7,2 = pior prognóstico.
Tratamento: Tratar o tumor; pleurodese ou cateter de longa permanência para alívio.
Alerta: Pulmão encarcerado: cateter permanente, não pleurodese.
Pegadinhas:
- Citologia negativa não exclui — repetir ou biópsia.
- Pulmão encarcerado não expande: pleurodese falha.
- Adenocarcinoma de pulmão é a causa mais comum.
Parapneumônico / Empiema
Passo-chave: pH + glicose + LDH do líquido
Fisiopatologia: Inflamação pleural adjacente a pneumonia; evolui de simples a complicado a empiema.
Diagnóstico: Neutrofílico. Simples: pH > 7,3. Complicado: pH < 7,2, glicose < 60. Empiema: pus.
Tratamento: Simples: ATB. Complicado/empiema: ATB + drenagem (± fibrinolítico/cirurgia).
Alerta: pH < 7,0 ou pus: drenagem urgente.
Pegadinhas:
- Empiema nunca se resolve só com ATB — precisa drenar.
- pH do líquido decide a drenagem, não o aspecto.
- Loculações na TC indicam necessidade de intervenção precoce.
Reumatológica (LES, AR)
Passo-chave: FAN + anti-DNA + FR + complemento
Fisiopatologia: Serosite autoimune (LES) ou exsudato crônico com glicose baixa (AR).
Diagnóstico: LES: anti-DNA no líquido, complemento baixo. AR: glicose muito baixa.
Tratamento: Tratar a doença de base (corticóide/imunossupressor).
Alerta: LES: excluir infecção antes de imunossuprimir.
Pegadinhas:
- AR pleural tem a menor glicose entre os exsudatos.
- Em LES, sempre excluir infecção concomitante.
- Serosite pode ser a primeira manifestação do lúpus.