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Proteinúria Quantificar + tipar
Qual o mecanismo? Quantidade + tipo de proteína + sedimento
Como decidir: Glomerular (albumina/nefrótica) · tubular (baixo peso) · overflow (cadeias leves) · transitória (benigna).
• Proteinúria de faixa nefrótica (>3,5 g/dia) + hipoalbuminemia + edema + dislipidemia → Glomerular (síndrome nefrótica) (Proteinúria de baixo peso com disfunção tubular aponta tubular)
• Proteinúria de proteínas de baixo peso (β2-microglobulina) + disfunção tubular (glicosúria, acidose) → Tubulointersticial (Albuminúria de faixa nefrótica aponta glomerular)
• Proteinúria de sobrecarga (cadeias leves no mieloma, mioglobina na rabdomiólise) que excede a reabsorção → Overflow (sobrecarga) (Albumina como proteína dominante aponta glomerular)
• Proteinúria transitória (febre, exercício, ICC) ou ortostática (jovem, ausente em decúbito) → Transitória/ortostática (benigna) (Proteinúria persistente em amostras seriadas exige investigação)
• Quantificar (relação proteína/creatinina): Amostra isolada de P/Cr estima a proteinúria de 24h; faixa nefrótica ≈ >3,5 g/dia
• Tipo de proteína + sedimento: Albumina (glomerular) vs baixo peso (tubular) vs cadeias leves (overflow); dismorfismo/cilindros hemáticos apontam glomerular (ver framework glomerular)
• Confirmar persistência: Repetir para excluir transitória/ortostática; proteinúria persistente/nefrótica → investigação glomerular (sorologias, eventual biópsia)
Glomerular (Nefrótica)
Passo-chave: Albumina + >3,5 g/dia + edema
Fisiopatologia: A lesão da barreira glomerular deixa escapar albumina; a hipoalbuminemia gera edema, e o fígado responde com dislipidemia.
Diagnóstico: Proteinúria nefrótica + hipoalbuminemia + edema + dislipidemia. Investigar a glomerulopatia (primária/secundária — diabetes, LES, amiloide).
Tratamento: Tratar a causa glomerular + medidas antiproteinúricas (IECA/BRA) + manejo de edema/dislipidemia/risco trombótico.
Alerta: Síndrome nefrótica aumenta o risco de trombose (perda de antitrombina).
Pegadinhas:
- Risco de trombose (incl. veia renal).
- Lipidúria com 'corpos graxos ovais'.
- Conecta-se ao framework glomerular.
Tubulointersticial
Passo-chave: Baixo peso + disfunção tubular
Fisiopatologia: A lesão tubulointersticial reduz a reabsorção de proteínas de baixo peso normalmente filtradas, que então aparecem na urina.
Diagnóstico: Proteinúria subnefrótica de baixo peso + sinais tubulares (glicosúria sem hiperglicemia, acidose tubular, distúrbios eletrolíticos).
Tratamento: Tratar a causa intersticial (fármacos, autoimune, metabólica).
Alerta: Geralmente subnefrótica — não esperar edema/hipoalbuminemia.
Pegadinhas:
- Proteinúria costuma ser modesta.
- Acompanha disfunção tubular (Fanconi).
- Dipstick pode subestimar (detecta sobretudo albumina).
Overflow (Sobrecarga)
Passo-chave: Cadeias leves / mioglobina
Fisiopatologia: Produção excessiva de uma proteína filtrável (cadeias leves no mieloma, mioglobina na rabdomiólise) excede a capacidade de reabsorção tubular.
Diagnóstico: Discrepância entre dipstick (detecta albumina) e proteinúria total elevada → pesquisar cadeias leves (imunofixação); mioglobina na rabdomiólise.
Tratamento: Tratar a doença de base (mieloma, rabdomiólise).
Alerta: Dipstick negativo com proteinúria alta sugere cadeias leves (mieloma).
Pegadinhas:
- Dipstick não detecta cadeias leves — usar imunofixação.
- Conecta-se aos frameworks de gamopatia e rabdomiólise.
- Cadeias leves são nefrotóxicas (rim do mieloma).
Transitória / Ortostática
Passo-chave: Jovem, febre, exercício → benigna
Fisiopatologia: Aumento funcional e reversível da proteinúria (febre, exercício, ICC) ou postural (ortostática no jovem), sem doença renal.
Diagnóstico: Proteinúria que desaparece em amostras repetidas; na ortostática, ausente na primeira urina da manhã (decúbito).
Tratamento: Nenhum específico; reavaliar. Bom prognóstico.
Alerta: Confirmar com amostra em decúbito antes de rotular como ortostática.
Pegadinhas:
- Ortostática é benigna no jovem.
- Sempre confirmar a persistência antes de investigar.
- Função renal e sedimento normais.